quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Livros Católicos indispensáveis




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Catecismo Anticomunista - Dom Geraldo de Proença Sigaud

Católico Conheça tua fé - P. Angel Peña O.A.R.

Católico, graças a Deus! - Renato Curse

Comunismo: Ópio do Povo - Mons. Fulton J. Sheen

Dicionário da Doutrina Católica - Pe. José Lourenço

Em defesa da Fé - Frei Damião de Bozzano

Ex-ateu, graças a Deus! - Renato Curse

História da Igreja - Pe. Miguel de Oliveira

História Eclesiástica - Dom Bosco

Imagens e Objetos Sacros na Bíblia - Pe. Florencio Dubois

Luz nas trevas - Pe. Júlio Maria

Luzes e Sombras da Igreja Católica - P. Ángel Peña O.A.R.

Mensagem aos protestantes - Azarias Sobreira

Nossa Senhora - Fulton J. Sheen 

Onde está Cristo está a Igreja Católica - Sto. Inácio de Antioquia

Perguntas e Respostas Concisas e Familiares às Objeções mais vulgares contra a Religião Católica - Monsenhor de Ségur

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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Estado Laico: A Farsa



Ele bradam que o estado é laico, que o estado é secular,
querem tirar das repartições públicas as cruzes;
incomodam-se com símbolos cristãos em qualquer lugar,
são como os iluministas que nos deram trevas ao invés de luzes.


Não, estes hipócritas não querem um estado laico no país,
o que eles querem é um estado laicista, um estado ateu,
de preferência que só permita e chancele o que lhes condiz
e que proíba a manifestação da fé no verdadeiro Deus.


Eles não se incomodam com candomblé, espiritismo ou islã,
o alvo predileto é sempre o Deus que realmente existe,
do contrário não se focariam apenas na religião cristã
e também abominariam os muçulmanos, com o dedo em riste.


Até a frase "Deus seja louvado" querem suprimir das notas,
postulam até tirar a Bíblia Sagrada das bibliotecas escolares,
agem como crianças birrentas, como perfeitos idiotas,
movidos por sua cristofobia e suas 'crenças' particulares.


Estado laico virou pretexto para o escárnio cristão,
e as minorias querem impor suas ideias à maioria,
pisam nas leis e desrespeitam princípios da Constituição
e o Artigo 208 do Código Penal para eles é mera alegoria.


Entendam, imbecis, vocês vivem em um país de maioria cristã!
E mais: construído e constituído por princípios e ideias católicos.
O que querem? Ocultar a realidade da luz de toda manhã?
Ou transformar em cerrado o que sempre foi bucólico?


Sim, é verdade que temos liberdade de crença ou descrença,
mas, também é verdade que somos o país mais católico do mundo.
Portanto, de nada adianta tratar com desprezo ou indiferença
o fato de que nossa vontade é soberana diante de seus anseios imundos.


Por detrás de toda essa causa e de toda essa militância
escondem-se os ideais mais imorais e mais perniciosos,
enrustem-se a cristofobia, o ódio e a intolerância
e os mais hediondos sentimentos antirreligiosos.


Como deve ser frustrante a vida de uma pessoa assim:
ter que conviver com a grande maioria que pensa diferente.
Ver o Cristo Redentor deve lhes ser algo tão ruim
e até nomes de cidades talvez os deixem descontentes.


E os estados de São Paulo, Espírito Santo e Santa Catarina?
Será que os laicistas sonham em um dia renomear?
Será que eles mandariam-nos para a forca ou para a guilhotina
para ver o sonho imundo de um mundo laicista e ateu prosperar?


Desonestamente, atacam símbolos cristãos que representam a paz,
mas, nem se incomodam com os símbolos que só representam a guerra.
Nunca vi, por exemplo, um laicista ou ateu se incomodar
com símbolos comunistas que só trouxeram caos e mortes na Terra.


Já pensaram em como seria o mundo sem os preceitos cristãos?
Certamente não, já que vocês apenas atacam e só se iludem.
Mas, se já não suportam mais este tipo de situação,
sigam o ditado: "os incomodados que se mudem"!


A Igreja Católica e suas instituições espalhadas pelo mapa
muitas vezes fazem pelo povo o que o governo não faz.
Cite-me, ateu, uma figura mais influente que o Papa
especialmente quando o assunto é lutar pela paz.


Aprendam de uma vez: Estado laico não é estado antirreligioso
e o Brasil tem suas raízes e alicerces no catolicismo.
Se és ateu ou esquerdista, não adianta ficar furioso
pois serás sempre a minoria em eterno anacronismo.


Renato Oliveira                     25 de junho de 2.017







“Todos que têm preconceitos contra símbolos religiosos, de qualquer religião, 
são, a meu ver, complexadas

Ives Gandra Martins








Estado laico é diferente de Estado antirreligioso

por: Paulo Henrique Hachich De Cesare (advogado)


Há poucos dias foi noticiado que o Conselho da Magistratura do TJ/RS, em decisão unânime, acatou pedido da Liga Brasileira de Lésbicas e de outras entidades sociais sobre a retirada dos crucifixos e símbolos religiosos nos espaços públicos dos prédios da Justiça gaúcha. E prosseguia a notícia: Disse o magistrado que resguardar o espaço público do Judiciário para o uso somente de símbolos oficiais do Estado é o único caminho que responde aos princípios constitucionais republicanos de um Estado laico, devendo ser vedada a manutenção dos crucifixos e outros símbolos religiosos em ambientes públicos dos prédios.

A decisão acima citada, segundo entendemos, subverteu o conceito de Estado Laico e mais particularmente do Estado brasileiro, como delineado pela Constituição Federal de 1988.

Como é de sabença trivial, Estado laico, secular ou não confessional é aquele que não adota uma religião oficial e no qual há separação entre o Clero e o Estado, de modo que não haja envolvimento entre os assuntos de um e de outro, muito menos sujeição do segundo ao primeiro. Portanto, de plano se verifica que Estado laico não é sinônimo de Estado antirreligioso.

Antes de prosseguir, convém repisar a diferença entre dois conceitos: laicidade e laicismo.

De modo bastante sucinto, a laicidade é característica dos Estados não confessionais que assumem uma posição de neutralidade perante a religião, a qual se traduz em respeito por todos os credos e inclusive pela ausência deles (agnosticismo, ateísmo). Já o laicismo, igualmente não confessional, refere-se aos Estados que assumem uma postura de tolerância ou de intolerância religiosa, ou seja, a religião é vista de forma negativa, ao contrário do que se passa com a laicidade.

A Constituição Federal de 1988, como de resto a maioria das anteriores, não permite nem mesmo que se cogite ou suspeite de laicismo no Estado brasileiro. Com efeito, qualquer ideia de laicismo é repudiada ab ovo, pois já no preâmbulo de nossa Carta é solenemente declarado: “promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil” (g.n.). Obviamente, um Estado que se constitui sob a proteção de Deus pode ser tudo, menos um Estado ateu ou antirreligioso.

Decerto, porém, que o apreço e o reconhecimento dos valores religiosos não ficaram somente no preâmbulo. Longe disso, a Constituição de 1988 foi bastante zelosa ao dispor sobre estes valores. Confira-se:

Art. 5º ...

(...) VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;

VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

Art. 143. O serviço militar é obrigatório nos termos da lei.

§ 1º - às Forças Armadas compete, na forma da lei, atribuir serviço alternativo aos que, em tempo de paz, após alistados, alegarem imperativo de consciência, entendendo-se como tal o decorrente de crença religiosa e de convicção filosófica ou política, para se eximirem de atividades de caráter essencialmente militar.

§ 2º - As mulheres e os eclesiásticos ficam isentos do serviço militar obrigatório em tempo de paz, sujeitos, porém, a outros encargos que a lei lhes atribuir.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

(...) VI - instituir impostos sobre:

(...) b) templos de qualquer culto;

Art. 210. ...

§ 1º - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental.

Art. 226. ...

(...) § 2º - O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.»

E o apreço é tal pela religião que até o art. 19, que define a laicidade de nosso Estado, não deixa de conferir garantias religiosas:

Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; (g.n.)


Note-se que as vedações deste art. 19 são claríssimas: não estabelecer cultos religiosos nem igrejas, não subvencioná-los e não manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança. É certo que este dispositivo deve ser interpretado taxativamente, pois se trata de norma restritiva. Assim sendo, surge naturalmente a pergunta: de que forma um crucifixo na parede incorreria em alguma das vedações do art. 19, inc. I da Constituição Federal? A resposta é óbvia: de forma nenhuma. E se não incorre nas citadas vedações não há nada que justifique sua proibição. Acreditamos que esta razão baste para demonstrar o equívoco da decisão gaúcha, mas há mais.

Partindo de outro enfoque, abstraindo a conclusão do parágrafo anterior, podemos ir direto ao ponto e indagar: a existência de algum símbolo religioso em prédio público macula a laicidade do Estado brasileiro?

A resposta nos parece de uma clareza solar, podendo ser facilmente encontrada a partir de outras singelas indagações, com base nos dispositivos constitucionais acima transcritos. Algo assim: o fato de o Estado ...

a) assegurar o livre exercício dos cultos religiosos e garantir a proteção aos locais de culto e a suas liturgias, fere a laicidade do Estado?

b) assegurar a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva, fere a laicidade do Estado?

c) permitir que alguém oponha validamente sua crença religiosa ao cumprimento de obrigação legal a todos imposta, mediante prestação alternativa, fere a laicidade do Estado?

d) eximir do serviço militar obrigatório, mediante serviço alternativo, quem alegar imperativo de consciência decorrente de crença religiosa, fere a laicidade do Estado?

e) isentar do mesmo serviço obrigatório os eclesiásticos, compromete a laicidade do Estado?

f) conceder imunidade de impostos aos templos de qualquer culto, não fere a laicidade do Estado?

g) prever o ensino religioso facultativo como disciplina dos horários normais das escolas compromete a laicidade do Estado?

h) conferir efeito civil ao casamento religioso, na forma da lei, não fere seu caráter laical?

i) impor a si mesmo a proibição de embaraçar os cultos religiosos, não compromete seu caráter laico?

A resposta a todas as indagações acima é necessariamente negativa, pois o contrário corresponderia à negação do Estado laico, e sem esta premissa não subsistiria a presente questão.

A próxima pergunta, então, é óbvia e certamente já está na mente do leitor: se nada disso compromete o caráter laico do Estado, pois tudo está previsto na Constituição, como seria possível que algo muito mais singelo, como um simples crucifixo na parede, pudesse malferir a laicidade do Estado?

Com todas as vênias, nos parece absurdo supor que a mesma Constituição que abre mão de cifras milionárias com a concessão de imunidade aos templos de qualquer culto (templo este que é considerado em sentido lato pela jurisprudência), e que se desdobra para tutelar os valores religiosos, conforme visto nos dispositivos acima transcritos, possa proibir, implicitamente(!), a permanência de símbolos religiosos que tradicionalmente se encontram em alguns prédios públicos.

Com efeito, quem pode o mais, pode o menos, não há como fugir deste truísmo. Assim, se a Constituição admite o mais no campo religioso, sem que se possa considerar o Estado menos laico por conta disso, é evidente que também admite o menos (o crucifixo na parede).

Outro ponto que muito nos preocupa neste tema – e que vem se tornando lamentavelmente comum – é a utilização repetitiva de sofismas. Trata-se de afirmações vazias que procuram transformar o absurdo em lógica, é o caso noticiado do Conselho da Magistratura gaúcha, segundo o qual “resguardar o espaço público do Judiciário para o uso somente de símbolos oficiais do Estado é o único caminho que responde aos princípios constitucionais republicanos de um Estado laico, devendo ser vedada a manutenção dos crucifixos e outros símbolos religiosos em ambientes públicos dos prédios”.

Ora, nada mais equivocado. Nada além de uma frase bonita, mas sem conteúdo: resguardar do quê? De algo vedado pela Constituição? Já se viu que não. Único caminho para onde, para quê? Para a intolerância. Ao contrário do afirmado pelo referido Conselho, acreditamos que o que responde aos princípios constitucionais republicanos de um Estado laico se chama respeito, e compreensão acerca da herança cultural e religiosa de um país. Portanto, a presença de um símbolo religioso numa repartição pública, só por si, não tem o condão de nem mesmo arranhar a laicidade do Estado.

Argumenta-se ainda (incansavelmente), que os símbolos são cristãos e nem todos o são, daí a inconstitucionalidade. Este tipo de argumento traz à memória um fato noticiado há algum tempo, uma pós-adolescente, mulher de um jogador de futebol, se negara a entrar no carro de sua mãe por haver nele uma pequena imagem religiosa, doutra fé que não a da garota. Ou seja, intolerância religiosa pura. E não é nada além desse tipo de intolerância que o Judiciário tutela quando determina a retirada de objetos religiosos tradicionais das repartições públicas, sob a alegação de estar agindo em defesa da laicidade ou de qualquer outro princípio republicano.

Não se perca de vista que o Brasil é um país eminentemente cristão, logo, qual o tipo de imagem religiosa que se supõe encontrar disseminada? Haveria aí alguma concessão do Estado em prol de uma religião e em detrimento das outras? De modo algum, pois ou tais imagens estão por tradição nos referidos prédios, algumas há séculos, ou são miudezas carreadas pela fé e tradição dos que laboram no local, nada além.

E o não-cristão? E o ateu e o agnóstico? Como ‘ficam’? Esses não terão sua esfera jurídica atingida em absolutamente nada, pois, se não forem cristãos, basta ignorar o crucifixo ou considerá-lo como um penduricalho na parede. Ou assim ou teremos um Judiciário que premia a intolerância e se vocaciona ao acolhimento das pretensões mais mesquinhas que insistem em acompanhar a humanidade através dos séculos.


Fonte: http://www.conjur.com.br/2012-mar-21/estado-laico-nao-sinonimo-estado-antirreligioso-ou-laicista

* texto de 2012







domingo, 18 de junho de 2017

Ateus e a eterna negação do óbvio


Preste atenção na seguinte história.
Suponhamos que você esteja dialogando com alguém - um conhecido, talvez - quando, no decorrer da conversa, você comente que tem algum grau de parentesco com uma determinada celebridade, quer seja esta artística, política, ou seja lá o que for.
Suponhamos que isso seja verdade e que mesmo através de um diálogo eloquente, seu interlocutor duvide aberta e declaradamente e lhe desafie a provar o que está dizendo.
Você, naturalmente seguro de si, aceita o desafio e exibe uma foto de família onde a celebridade em questão aparece abraçada a ti.
Ainda duvidando da veracidade da história, ele argumenta que aquela foto não poderia provar nada, portanto, era só a sua palavra contra a dúvida dele.
Você, então, mostra-lhe um documento provando que a tal celebridade realmente faz parte da sua família e acredita que diante desta forte evidência, ele, enfim, se convença de vez.
No entanto, ainda não convencido, ele contesta a legitimidade do documento, alegando que é muito fácil falsificar ou forjar um papel como aquele.
Não há porque perder a calma, afinal de contas, a verdade está contigo e "quem fala a verdade não merece castigo". Você se lembra que o escrivão que homologou o documento mora nas proximidades e que, por uma feliz coincidência, é seu amigo pessoal. Após uma breve visita, sua história é confirmada pelo escrivão e, mesmo assim, isso não é suficiente o bastante para convencer o chato interlocutor - ele agora alega que você pode muito bem ter combinado aquilo tudo previamente com seu amigo.
Não satisfeito em apenas duvidar, ele passa a tripudiar de você, acusando-o de ser um grande mentiroso
Paciência tem limite. Você então saca o telefone celular e liga para o seu famoso parente, a fim de obter dele próprio uma declaração que confirme a sua história. Só assim não restaria qualquer dúvida.
Entretanto, mesmo após falar com seu parente ao celular, fazer diversas indagações e tudo o mais, ele ainda não consegue se convencer. Apesar de todo um conjunto de evidências, além da sua palavra e da confirmação oral do ilustre parente, ele alega que tudo faz parte de uma conspiração e que qualquer pessoa poderia muito bem ter assumido aquele papel ao telefone.
Agora ele passou dos limites. Mesmo sabendo que não tem nenhuma obrigação de provar nada a ele, você passa a encarar o pequeno entrevero como uma espécie de desafio.
Vocês tomam um táxi e dirigem-se até a residência de seu parente. Lá ele confirma pessoalmente a sua história e exibe uma série de provas para corroborá-la.
Está provado! Você agora tem absoluta certeza de que o convenceu plenamente.
Engano seu.
Ele afirma categoricamente que você é um mentiroso, um falsário, farsante e, que tudo aquilo, a exemplo das demais evidências, fazia parte de uma bem elaborada conspiração, cheia de provas forjadas e dois falsos testemunhos.
Qual seria a sua reação diante deste incômodo acontecimento?
- "Ah, quer saber, cara, vá para o inferno!"


Estou usando esta pequena história fictícia para fazer uma simples analogia com a descrença exacerbada e até irracional dos ateus. Analisemos o caso a seguir - este sim real e verídico - e façamos uma comparação.
Antes do século XIX, os ateus, em sua ânsia de só atacar e simplesmente negar por negar, afirmavam totalmente seguros de si que Babilônia não passava de uma lenda, mais um dos tantos mitos da Bíblia.
Após a metade do século XIX, graças ao trabalho incessante de vários arqueólogos (especialmente do alemão Robert Koldewey), caíram por terra todas as acusações céticas dos ateus de que a Babilônia nunca teria existido.
O próximo passo foi duvidar da existência do rei Nabudonosor, entretanto, mais uma vez a arqueologia trouxe à luz a verdade, através da descoberta de tabletes e tijolos contendo inscrições com o nome do antigo rei babilônico.
Ainda no intuito de descredenciar os escritos de Daniel, os ateus passaram a duvidar da existência de Nabonido e Belsazar, mencionados pelo profeta como os últimos reis da Babilônia.
Vieram à tona alguns tabletes cuneiformes que mencionavam Nabonido e Belsazar que, aliás, eram pai e filho, respectivamente.
Não obstante, os ateus se voltaram para os três amigos de Daniel que, de acordo com os relatos bíblicos, foram lançados na fornalha ardente: Hananias, Misael e Azarias (Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, em caldeu). A acusação era do mesmo teor, ou seja, todos eles não passavam de mitos, lendas.
Mais uma vez a arqueologia comprovou a veracidade dos relatos do livro de Daniel, através do descobrimento de um prisma de argila que continha os nomes dos oficiais do rei Nabucodonosor, entre estes, os três amigos de Daniel.
Restou aos ateus contestar a data em que os relatos do profeta teriam sido escritos. E eles tinham um fortíssimo argumento. Julgue você mesmo: os ateus, tão preocupados em provar a inexistência daquilo que dizem não acreditar (!), conseguiram encontrar três palavras gregas em todo o livro de Daniel e, munidos deste irrefutável argumento, apregoaram que o referido livro teria sido escrito por volta do século II a.C. e não em meados de 550 a.C.
Estudiosos do grego, aramaico e hebraico, após minuciosas análises e criteriosas investigações, acabaram concluindo que, mais uma vez, os ateus estavam redondamente enganados.
Mas, enfim, mesmo depois de todo esse conjunto de evidências, os ateus continuam a afirmar que o livro de Daniel e a própria Bíblia são uma fraude.
Qual seria a sua reação diante de um ateu que insiste em negar alguns versículos sagrados, mesmo depois de lhe serem apresentadas várias comprovações?
- "Ah, quer saber, cara, já que você não acredita em inferno, então vá à merda!"


Eu poderia citar CENTENAS de casos análogos em que ateus colocaram citações bíblicas em debate, questionando sua legitimidade e que, no entanto, para despeito e contragosto deles, tais citações acabaram sendo comprovadas como autênticas, reais.

Mas, ateus são ardilosos, eles vão alterando e alternando seus argumentos e suas acusações conforme vão se alterando também os fatos que evidenciem o quanto estão errados.
Jamais darão o braço a torcer. Agirão exatamente igual ao personagem da história que abre este texto.

Discutir ou debater com ateu militante (neo-ateu) é sempre assim: mesmo você não tendo obrigação nenhuma de provar a existência de algo que para você é tão óbvio, ele se sentirá na obrigação de lhe cobrar provas da existência daquilo que para ele não existe!
E o pior: você pode apresentar um milhão de argumentos, quer sejam estes filosóficos e científicos; além de não refutar nenhum deles, o ateu militante ('militonto') usará de todas as suas artimanhas para se esquivar, desviar o rumo e o conteúdo da conversa para, ao final, sair cantando vitória, mesmo que tenha sido fragorosamente derrotado.
Típico, mas, sobretudo, patético!




Renato Oliveira                        09 de junho de 2017
























quinta-feira, 8 de junho de 2017

O mito da Idade das Trevas



A Idade Média foi o Período das Trevas, da escuridão:
Renascentistas cunharam, Iluministas adotaram.
Nascia ali uma torpe, mentirosa e vil afirmação,
propagada até hoje pelos tolos que nisto acreditaram.


A Igreja Católica freou todos os avanços na Idade Média:
Protestantes cravaram, Iluministas e ateus acreditaram.
Entretanto, nenhum deles é capaz de provar em suas enciclopédias
as mentiras, calúnias e farsas que, à revelia, lançam e lançaram.


Teriam eles aprendido ou acreditado em uma história diferente?
Seriam eles apenas replicadores de conspirações iluministas?
Ora, meus caros mitomaníacos, não é preciso ser muito inteligente
para demonstrar o quanto são falaciosos seus argumentos vigaristas.


Somente os preguiçosos mentais acreditam nesta grande besteira,
afinal, não é preciso ser sábio, gênio, polímata ou historiador
para comprovar que o mito da Idade das Trevas não passa de asneira.
e que só os ignorantes e mentirosos contemplam tal mentira com ardor.


Pior são aqueles que endeusam o Iluminismo ou outra corrente similar,
como se estas fossem os maiores atestados de uma mentalidade sã,
outros chegam ao cúmulo de, sua importância, querer equiparar
com Direito romano, Filosofia grega e Moral judaico-cristã.


Obviamente o Período Iluminista deixou algum positivo legado,
seria até desonesto afirmar que isso é uma mentira.
Mas, mentira maior e que muitos têm acreditado e até divulgado
é afirmar que durante a Idade Média o avanço diminuíra.


Não é preciso pedir provas a eles de suas mentiras conspiratórias,
nem é necessário debater para provar que estão enganados,
simplesmente convide-os para estudar a verdadeira história
e, se forem um pouco inteligentes, admitirão o quanto estão errados.



Felizmente, graças ao trabalho de alguns poucos historiadores,
como Jacques Le Goff, Regine Pernoud - que não sombreavam a verdade,
caem os mitos, caem as farsas, são desmascarados os impostores
e a Idade das Trevas vai desaparecendo à luz de uma nova realidade.


As invenções dos tais humanistas do Período do Renascimento
ganharam vida nas alcunhas de seu vasto e seletivo leque:
protestantes, iluministas, ateus e toda espécie de movimento
que tenham como intenção colocar a Igreja Católica em xeque.


Desonestamente, citam, coléricos, Cruzadas e Inquisições,
simplesmente espalhando notícias sem checar se são reais.
Reproduzem as mentiras, falácias, farsas e conspirações
movidos, sobretudo, pela rejeição e pelo ódio anticlericais.


Mais desonestamente ainda, fecham os olhos para as consequências
que muitas ideias iluministas e secularistas acarretaram no campo moral.
Quantas revoluções, quantas guerras, quantas mortes e quanta violência
não foram consumadas após a adoção desta suposta cosmovisão racional?


Sim, sabemos perfeitamente sobre os erros atribuídos à Santa Igreja,
afinal, tanto protestantes, quanto ateus não nos deixam esquecer.
Mas, assumir seus erros, culpas, crimes e mortes, ora veja,
é coisa que não vemos nenhum pró-iluminista ou ateu fazer!


Sempre procurando se esquivar daquilo que a história atesta,
os lunáticos inventam argumentos e tentam enganar a si próprios.
Todavia, abraçados a mitos e mentiras sobre a tal Idade das Trevas
nem parecem céticos dada à parcialidade de seus 'iluminados' olhos.


Os mitos da Idade Média e da Igreja continuarão a existir,
pois sempre existirão pessoas de má fé e as que se apegam às tolices.
Porém, não há nada neste mundo que seja capaz de extinguir
a força da verdade, destruidora de toda e qualquer charlatanice.


Se a Idade Média resume-se a um período de trevas e obscurantismo,
e se a Igreja Católica freou radicalmente o avanço e o progresso,
como explicar as grandes invenções e o crescimento científico
estimuladas justamente pela Igreja neste período pregresso?


As primeiras universidades surgiram no período medieval,
e foram difundidas a mando da Igreja Católica Romana.
Não seria, portanto, uma afirmação, no mínimo, irracional
acusar a Igreja com tantas conspirações e mentiras insanas?



Talheres, roupas íntimas, pólvora, armas de fogo, astrolábio,
desenvolvimento de técnicas de agricultura e navegação;
tantos gênios, pensadores, astrônomos, matemáticos e sábios
tornam o termo 'Idade das Trevas' uma obsoleta e obtusa contradição.


A menos que mudem o significado das palavras trevas e escuridão
ou que apaguem todos os tantos antigos registros históricos,
a sua mentirosa campanha de calúnia, injúria e difamação
só vai convencer os que se deixam enganar por qualquer falsa retórica.


Se os iluministas que tanto se proclamaram os donos da razão
despertassem hoje e vissem o que parte de suas ideias causaram,
certamente os mesmos teriam repúdio, asco, rejeição e aversão
aos conceitos sociais e morais que do Iluminismo resultaram.




Renato Oliveira              07 de junho de 2017













"O ódio fanático pela religião e pelas tradições filosóficas clássicas do ocidente se coadunam perfeitamente com o culto imbecilizante da classe acadêmica, científica ou burocrática. Na verdade, esses grupos foram elevados a um novo clero pela sacrossanta ideologia iluminista. O positivismo filosófico, travestido de "verdadeira ciência", virou uma nova "revelação divina" de nossos tempos. Uma "revelação", por assim dizer, idiotizante, que reduz a dimensão humana apenas aos caracteres puramente fisiológicos, negando as qualidades existenciais, espirituais, éticas e morais do ser humano. Quando se pergunta a um materialista o que é o amor, ele dirá que é apenas um fenômeno físico e material. Resta saber como o idiota provará algo que não tocamos, vemos, presenciamos fisicamente, mas apenas acreditamos sentir ou intuir.

Essa falsa doutrina, que diz libertar o homem da opressão da religião cristã, na prática, acaba por escravizá-lo. Os homenzinhos "iluministas" sonham com uma sociedade controlada pelo Estado, pela burocracia tecnocrática ou inspirada por ideais "científicos". O socialismo e todos os tipos de totalitarismo têm nesta forma de pensar uma grande inspiração."
 
Leonardo Bruno
(Conde Loppeux de la Villanueva)








O  PROGRESSO  TÉCNICO  NA  IDADE  MÉDIA


 Em geral,  os historiadores mostram grande má vontade para com o período medieval:  Teria sido uma época de superstição e atraso,  estagnação e crueldade.  É uma visão certamente preconceituosa,  causada pelo ódio à influência exercida naquela época pela Igreja Católica tradicional,  de cujo espírito estavam impregnadas,  em maior ou menor grau,  todas as instituições.

Todavia,  a Idade Média foi época de muitos inventos,  grandes e pequenos,  de cuja origem às vezes não se suspeita.  Vejamos,  por exemplo,  o setor de transportes.

Com o desenvolvimento dos mastros,  a junção da vela latina e da vela quadrada,  a multiplicação dos remadores nas galeras,  o reforço do casco por meio de um esporão robusto,  obtiveram-se melhores condições de  navegabilidade. (Perroy, 1957 : 177).  Contudo,  maior progresso alcançou-se no século XIII,  ao generalizar-se o leme de cadaste,  que veio substituir o  pesado remo situado na popa do navio,  permitindo uma direção mais segura de embarcações muito maiores.  (Wolff, 1988: 146;  Heers, 1968 : 255).  “Devido à pressão exercida pela vela de proa sobre o leme,  tornou-se necessário um certo contrapeso mais a ré.  Isso levou ao acréscimo de um terceiro mastro na popa conhecido como mastro de mezena. A primeira ilustração datada de uma carraca de três mastros é de 1466. No final da Idade Média algumas dessas embarcações tinham 60 metros de comprimento com uma boca de 15 metros e uma capacidade de cerca de 1.400 toneladas.” (Hodgett,  1975 : 131)  A invenção do leme  (desconhecido na civilização greco-romana) e da bússola provocaram o ciclo das descobertas dos séculos XV e XVI.  (Fonseca, 1958 : 273-274).  É quando aparecem as primeiras cartas marítimas (Giordani, 1993 : 324),  invenções que,  associadas ao astrolábio, permitiram a navegação em alto-mar.  (Vianna, 1962 : 620).  Atribui-se ao Papa Silvestre II a invenção,  ou talvez a introdução,  a partir do mundo islâmico,  do astrolábio “para medir  a altura dos astros sobre o horizonte,  da esfera sólida destinada a estudar os movimentos ce-lestes e do primeiro relógio mecânico acionado por pesos.  As conseqüências foram incalculáveis.” (Puiggrós,   1965 : 173). O astrolábio,  de início ainda rudimentar,  aperfeiçoou-se pouco a pouco:  Presença dos azimutes,  aparecimento do ostensor,  exatidão na graduação da eclíptica.  (Beaujouan,   1959 : 130).  Em 1434,  surge a caravela em Valença.   (Wolff,  1988 : 237).  Nos Países Baixos,  apareceu  a eclusa;  constituída por uma câmara com portas em cada extremidade,  possibilitava a passagem da embarcação de um nível de água para outro. Canais e eclusas surgiram em Flandres e  na Holanda já no século XII.  (Hodgett, 1975 : 132).

No século XI,  os europeus começaram a usar ferraduras nos animais;  isto lhes aumenta a vida útil e,  com a  utilização da carreta de quatro rodas,  possibilita um distanciamento maior  entre a aldeia e os campos.  (Silva,  1986 : 47).  “Do século X ao século XII,  generaliza-se no Ocidente o moderno atrelamento dos animais,  a coelheira dura,  os tirantes,  a disposição em fila e a ferragem com pregos:  desde então os cavalos podem tirar com toda a sua força e peso,  em vez de erguerem a cabeça,  semi-estrangulados,  como ‘os altivos corcéis’ da Antiguidade.  (...) o jogo dianteiro móvel data do século XIV e permitirá a tração das peças de artilharia recém-inventadas.” (Beujouan, 1959 : 143). A adoção generalizada da coelheira possibilitou o atrelamento aos arados de cavalos  em lugar de bois,  uma mudança que ocorreu por volta de 1200.  Os bois também passaram a ser utilizados com maior eficiência através da invenção da canga frontal, pois esta deu-lhes mais força de tração que a anterior,  presa nos chifres. (Hodgett, 1975 : 220).  Surge um pequeno objeto,  na aparência evidente — mas totalmente desconhecido na Antiguidade:  o estribo, graças ao qual o cavaleiro podia empunhar a sua arma com muito mais força e confiança.  (Trevor-Roper,  1966: 102-104).

A pavimentação das estradas,  mais fácil e  mais econômica,  substitui  com vantagem o lajeamento das vias romanas.  O São Gotardo,  por tanto tempo intransponível,  transformou-se em via de trânsito,  através da primeira ponte pênsil de que se tem conhecimento,  datada provavelmente do início do século XIII.  (Pirenne, 1982 : 39).   Por outro lado, o  túnel de estrada mais antigo,  o do Monte Viso,  com de cerca de cem metros,  foi  construído entre 1478 e 1480,  com a finalidade de facilitar o transporte do sal da Provença. (Wolff, 1988 : 144).  Foi inventado também esse aparelho extraordinário,  o carrinho de mão,  que permite a um homem realizar o trabalho de dois. (Fremantle,  1970 : 125;  Vianna, 1962 : 621)

Nas cidades, a calçada destinada aos pedestres introduziu-se a partir de 1185  em Paris,  1235, em Florença,  1310, em Lübeck. (Mumford, 1965 : 401).  As ruas largas não eram necessárias,  “pois havia pouco tráfego sobre rodas,  e nenhum exigia trânsito rápido.”  (Hodgett, 1975 : 71).  São  também criações medievais a chaminé doméstica, a vela e o círio.   (Vianna, 1962 : 621)

A partir do século X, os cursos d’água são regulados,  cortados por desvios,  barragens e quedas destinadas a movimentar moinhos de cereais e lagares.  A roda d’água  era tão utilizada que na Inglaterra de Guilherme o Conquistador  (século XI)  contavam-se cinco mil.  Foi usada em toda a parte,  para bombear água,  serrar madeira,  pulverizar o pigmento das tintas e o malte da cerveja,  acionar máquinas, triturar minérios,  forjar ferro,  espichar arames...  Com ela,  a escavação  das minas ultrapassou em muito os 800 metros de profundidade.  (Puiggrós,  1965 : 179;  Hodgett, 1975: 28).  Aprimoraram-se as engrenagens e  outros dispositivos mecânicos. Surge o fole com placas e válvulas.  “No fim da Idade Média,  o alto-forno possibilitou a fabricação do ferro fundido.  Essa foi a invenção mais importante da indústria metalúrgica.  O bronze, uma liga de cobre e estanho,  com um ponto de fusão mais baixo que o ferro,  era fundido desde os começos do século XII e utilizado na fabricação de sinos e estátuas.” (Hodgett,  1975 : 189). “A fabricação de um sino exigia técnica especial para que o mesmo produzisse um som adequado.  O fundidor deveria,  antes de iniciar o trabalho,  calcular o tamanho do sino e as proporções exatas.” (Giordani, 1993 :  159).

A partir do século XII,  explorou-se outra fonte de energia: o vento.  Os moinhos de vento são mencionadas em Arles pela primeira vez entre 1162 e 1180.  (Hodgett, 1975 : 222).  No século XIII, já se comprova a existência de moinhos de maré na foz do Adour,  perto de Bayonne. (Giordani, 1993 : 158).

O primeiro poço artesiano conhecido foi perfurado  em 1126.  Entre as inovações medievais,  aparecem também a sericultura (introduzida na Sicília por volta de 1130),  a falcoaria,  o arenque defumado e a  “champanhização” do vinho branco. (Beaujouan, 1959 : 144).

Na indústria doméstica,  a roca substitui o fuso para enrolar a estriga. E a partir de 1280,  “a roda de fiar  ( provavelmente uma das grandes invenções da indústria têxtil)  compete com a roca e o fuso,  os quais possibilitaram às mulheres trabalhar enquanto supervisionavam outras atividades. No século XIV,  o linho é pela primeira vez empregado na confecção de roupas brancas,  em oposição aos grosseiros panos de lã até então usados, o que acarreta uma melhoria na higiene e o retrocesso da lepra;  fornece também matéria-prima barata para a indústria papeleira trazida da China no século XIII. (Beaujouan, 1959 : 144;  Hodgett, 1975 :161).  A introdução do tear horizontal de pedal provavelmente triplicou a produtividade dos lanifícios.  (Anderson,  1982 : 215).  Em fins do século XII,  surge um invento no processo de tecelagem da lã:  O pisão,  que substituiu a pisagem de pés humanos pela batida de martelo sobre o tecido.  Um tambor giratório,  preso ao eixo de uma roda d’água,  acionava os martelos.  Outra invenção foi a máquina cardadora,  constituída por um conjunto de rolos com cardas,  movimentado também pela força hidráulica. (Hodgett,  1975 : 160, 177).  O moinho mecânico de dobar a seda parece ter surgido na Itália no fim do século XIII. (Wolff, 1988 : 100).  Além disso,  foram inventados o botão e a camisa.

O álcool aparece em Salerno por volta de 1110 e sua fabricação melhora rapidamente, com o  emprego de desidratantes,  como o carbonato de potassa. Além disso, a técnica da destilação aperfeiçoa-se,  empregando-se  o alambique clássico cujo escoadouro tubular,  em forma de  serpentina,  mergulha numa cuba para a circulação da água. (Beaujouan, 1959 : 144-145).   Em Toulouse,  fabrica-se aguardente no começo do século XV,  “o último grande século do comércio de vinho.  Concorrentes vão aparecer e desenvolver-se:  em primeiro lugar a cerveja,  que se aprende a fabricar melhor na Alemanha no século XIV, com a utilização do lúpulo.”   (Wolff,  1988 :  89).

Alberto Magno (1183-1280) conseguiu preparar  a potassa cáustica.  Foi o primeiro a descrever a composição química do cinabre,  do alvaiade e do mínio.    Raimundo Lúlio (1235-1315) preparou o bicarbonato de potássio.    Teofrasto Paracelso (1493-1541) descreveu o zinco,  desconhecido até então.  Introduziu igualmente na medicina o uso dos compostos químicos.

Os óculos para corrigir a miopia aparecem por volta de 1285;  primeiro,  de cristal de rocha, depois de vidro.  Nos séculos seguintes,  outros artesãos iriam melhorar as lentes, de onde resultariam o telescópio e o microscópio.  (Fremantle, 1970 : 149).

Os relógios mecânicos de peso difundem-se no fim do século XIII.   No século XV  surgem os relógios de areia,  ou ampulhetas. (Wihthrow, 1993 : 119)

O estilo gótico,  na arquitetura,  surge como um progresso essencialmente técnico,  que consistia numa diminuição das pressões exercidas pelas abóbadas,  as quais podiam elevar-se pelo afilamento das flechas e o equilíbrio dos arcobotantes leves  (filhos da ciência dos números, inventados em Paris em 1180 para erguer mais alto a nave de Notre-Dame)  e colunas com coruchéus.  As abóbadas atingem alturas cada vez maiores:  32 metros em Paris,  37 em Chartres ,  42 em Amiens,  48 em Beauvais!  Acessoriamente,  a abóbada melhorava os valores acústicos dum edifício destinado à execução do canto coral.  Por sua vez,  o adelgaçamento das paredes fez desabrochar a técnica do vitral,  cujo emprego fora até então limitado pela estreiteza das aberturas românicas;   os vãos puderam alargar-se,  havendo  mais espaço para as janelas e, assim,  as igrejas tornam-se mais iluminadas. No período que vai de 1170 a 1270 construíram-se na França mais de 500 grandes igrejas góticas.   (Fremantle, 1970 : 127;  Duby, 1979 : 121, 281;  Perroy, 1957 : 166-167) .  Aliás,  a herança mais duradoura da Idade Média é sua arquitetura.  Os castelos são em sua maioria ruínas impressionantes;  as catedrais continuam de pé,  desafiando os séculos. (Ferguson, 1970 : 220).

No domínio das obras públicas,  mencionam-se  as pontes com arcos em segmento,  as comportas e  as dragas.  (Beaujouan, 1959 : 145-146)

A contabilidade ganha em clareza com a adoção do método veneziano das duas colunas,  frente a frente  (crédito e débito);  mas  sua transformação mais importante consistiu nas partidas dobradas que,  provavelmente,  surgiram simultaneamente em várias cidades italianas entre 1250 e 1350.  Elas não precisarão sofrer,  até o fim do século XIX,  senão pequenas alterações de detalhe.   A letra de câmbio aparece no século XIII.  (Wolff : 1988 : 126).   Os cambistas examinavam e pesavam as moedas;  do “banco”  onde eles realizavam essa operação surgiu a instituição bancária, e as variadas práticas financeiras nasceram desse serviço primitivo de câmbio de dinheiro. (Fremantle, 1970 : 74).   O seguro marítimo está presente em documentos genoveses  desde o século XII. (Pirenne,  1982 : 124).

As feiras,  existentes desde o século XI,  eram centros de intercâmbio em grande escala ,  que se esforçavam em reunir  o maior número possível de homens e produtos. (Pirenne, 1982 : 102).

Foram fundadas no século XIII, algumas organizações postais privadas.  Em 1357,  dezessete companhias florentinas fundaram a ‘Scarsella dei Mercanti Fiorentini’ que mantinha,  toda semana,  um correio comum e nos dois sentidos com Avignon.  Foi a primeira companhia postal conhecida,  cujos estatutos foram conservados. (Wolff, 1988 : 156).

“Em 1305,  para uniformizar as medidas em certos negócios,  o rei Eduardo I,  da Inglaterra, decretou que fosse considerada como uma polegada a medida de três grãos secos de cevada,  colocados lado a lado. Os sapateiros ingleses gostaram da ideia e passaram a fabricar,  pela primeira vez na Europa,  sapatos em tamanho padrão,  baseados no grão de cevada.” (Superinteressante,  São Paulo,  2 : 13, fev. 1988).

A obra medieval de Beda contém a primeira investigação científica das marés,  envolvendo o mais antigo estudo sobre  o intervalo médio entre o momento da maré cheia e o do trânsito anterior do meridiano pela lua. (Whithrow, 1993 : 90).

“A primitiva lavoura utilizava,  no Médio Oriente e no Mediterrâneo,  o sistema da ‘sulcagem’:  um espigão,  com a ponta virada para baixo,  puxado por uma junta de bois,  primeiro numa direção,  depois transversalmente,  arroteava um lote quadrado de terra.  Este método era suficiente para os terrenos leves e secos.  Mas, nos solos húmidos e pesados do norte da Europa,  esse tipo de arado era inadequado,  exceto nos outeiros bem drenados.  Por conseguinte,  a agricultura foi,  a princípio,  praticada apenas em zonas muito limitadas.  Na Idade Média,  começou a generalizar-se,  gradualmente,  pelo Norte da Europa,  um novo tipo de arado.  Tratava-se de um arado pesado com lâmina e relha para fender o solo e uma aiveca para voltar os torrões  para os lados e abrir um sulco,  drenando desse modo o terreno,  ao mesmo tempo que o lavrava.”  (TrevorRoper, 1966 : 121-122;  Heers, 1968 : 121). Começa-se a utilizar a grade; revolvido mais amplamente,  melhor arejado,  o solo absorve melhor a marga, uma argila que contém carbonato de cálcio e,  quando misturada à camada superior do solo,  mostra-se um fertilizante valioso. (Perroy, 1957 : 23-24).  A irrigação (de pastos e terras de lavoura) começou a ser empregada em larga escala e a Itália provavelmente abriu o caminho. Na Idade Média,  outra invenção,  o mangual,  que substituiu a vara de bater,  aperfeiçoa o processo de debulha. (Hodgett, 1975 : 29, 221;  Mumford, 1965 : 337).

Nesse período,  além das plantas cultivadas nos tempos clássicos,  foram aprimorados:  A espelta,   o centeio,  a aveia e o fagópiro.  Além do sorgo,  outras culturas foram introduzidas na região mediterrânea,  pelos gregos ou árabes:  Arroz,  cana-de-açúcar,  algodão e amoreira.   (Hodgett,  1975: 30,  225).  O pousio trienal e,  a partir do século VIII,  o sistema de três plantações alternadas,  permitem a aclimatação de novas culturas e aumentam acentuadamente a produção agrícola.

Seria o mundo medieval um inferno de misérias?  Descobre-se o contrário a partir de um levantamento referente à cidade de Toulouse,  onde,   em 1322, havia 177 açougueiros,  ou  seja,  um para cada 226 habitantes,  “para uma população máxima de 40.000 almas — cerca de duas ou três vezes mais que hoje;  e alguns figuravam entre os comerciantes mais ricos da cidade.”  (Wolff, 1988 : 82-83).  A conserva do arenque no sal foi descoberta em 14l6,  por Willem Beeckelz.  (Fonseca, 1958 : 314).  “Apareceram as boas maneiras,  a ‘etiqueta’,  a faca passou a ser um componente da mesa,  assim como o garfo,  que acabou se tornando um utensílio doméstico após a peste negra  (1348-1349).”    (Villa, 1998 : 10).

“Já em 1159,  os primeiros pôlderes,  porções de terra tomadas aos alagadiços ou ao mar por meio de diques,  foram criados em Flandres.” (Mumford, 1965 : 336).  A maior parte dos diques holandeses foi construída entre os anos de 1250 e 1350.  Em 1408,  aparece o primeiro exemplo conhecido de moinho de vento para  bombear a água dos pôlderes.

Depois da manivela  — descoberta de importância fundamental — ocorreu  a invenção alemã da  biela,  peça rígida com duas articulações para transformar o movimento rotativo em alternativo. Começaram a utilizar-se ferramentas, como a plaina, e passou-se a usar o carvão como combustível. Diversas invenções,  como a cola e o papel,  foram transmitidas pela China à Europa.  (Whithrow,  1993 : 102, 109).  A tinta romana para escrever,  feita do negro da fumaça com goma e água,  não tinha fixadores;  era uma tinta moída;  ao passo que a utilizada  na Idade Média se fazia por infusão,  com goma,  pedra-ume e resina de carvalho.  (Spina, 1977 : 30-31).

Vê-se,  portanto,  que a Idade Média,  ao contrário do que muitos imaginam,  foi extremamente fecunda em avanços técnicos.


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Bibliografia:

 ANDERSON,  Perry.  Passagens da antiguidade ao feudalismo.  Porto,  Afrontamento, 1982.
BAGUÉ,   Enrique.  Pequeña historia de la humanidad medieval.  Barcelona,  Aymá, 1953.
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CARVALHO,  Delgado de.  História geral.  2. ed., Rio de Janeiro,  Record, s/d. v. 2.
DUBY,  Georges.  O tempo das catedrais.  Lisboa,  Estampa, 1979.
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FONSECA,  Gondin da.  Senhor Deus dos desgraçados!  2. ed., São Paulo, Fulgor, 1958.
FREMANTLE,  Anne. Idade da fé (Biblioteca de história universal Life).  Rio de Janeiro,  José Olympio, 1970.
GIORDANI, Mário Curtis. História do mundo feudal. 2. ed., Petrópolis, Vozes, 1993. v. 2, t. 2.
HEERS,  Jacques.  Précis d’histoire du Moyen Âge.Paris,   Presses Universitaries de France, 1968.
HERRERO, Victor José.  Introducción al estudio de la filología latina. 2. ed., Madrid, Gredos, 1976.
HODGETT, Gerald A. J.  História social e econômica da Idade Média. Rio de Janeiro, Zahar, 1975.
LINS,  Ivan.   A Idade Média,  a Cavalaria e as Cruzadas. 4. ed., Rio de Janeiro,  Civilização Brasileira, 1970.
MUMFORD,  Lewis.   A cidade na história. Belo Horizonte,  Itatiaia, 1965. v. 1, p. 401
PAUWELS,  Louis & BERGIER, Jacques.  O despertar dos mágicos. São Paulo, Clube do Livro, s/d.
PERROY,  Édouard.  História geral das civilizações. A Idade Média.  São Paulo,  Dif. Européia do Livro, 1957. t. 3, v., 2.
PIRENNE,  Henri. História econômica e social da Idade Média. 6. ed. São Paulo, Mestre Jou, 1982.
PUIGGRÓS,  Rodolfo. Génesis y desarrollo del feudalismo.  México,  Editorial F. Trillas,  1965.
SILVA,  Francisco C. Teixeira da. Sociedade feudal: Guerreiros,  sacerdotes e trabalhadores. 3. ed. São Paulo,  Brasiliense, 1986.
SPINA,  Segimundo.  Introdução à edótica. São Paulo,  Cultrix/EDUSP, 1977.  p. 30-31.
Superinteressante,  São Paulo,  2 : 13, fev. 1988.
THIERRY, J. W.  Draining of polders in the Netherlands. First Congress of Irrigation and Drainage.  New Delhi,  vol. 2 : 17-21, 1951.
TREVOR-ROPER,  Hugh.  A formação da Europa cristã.  Lisboa,  Verbo,  1966.
VIANNA, Eremildo Luiz.  Noção de Idade Média.  Kriterion,  Belo Horizonte, 15 (61/62) : 602-627, 1962.
VILLA,  Marco Antônio. Olhos,  bocas e barrigas. Folha de São Paulo (Mais!),  São Paulo, 06-12- 1998,  p. 10.
WHITROW,  Gerald James.  O tempo na história. Rio de Janeiro,  Jorge Zahar Editor, 1993.
WOLFF,  Philippe. Outono da Idade Média ou primavera dos tempos modernos?  São Paulo, Martins  Fontes, 1988.



fonte: Lepanto 
(http://www.lepanto.com.br/historia/o-progresso-tecnico-na-idade-media/)








"Um dos traços constitutivos da mentalidade revolucionária é a compulsão irresistível de tomar um futuro hipotético – supostamente desejável – como premissa categórica para a explicação do presente e do passado. Nessa perspectiva, a história humana é vista como um trajeto linear – embora entrecortado de abomináveis resistências – em direção ao advento de um estado de coisas no qual o curso total dos acontecimentos encontrará sua consumação e sua razão de ser.
Mais cômica ainda, ou tragicômica, torna-se essa inversão quando, à maneira iluminista, o futuro esperado é descrito como o triunfo da racionalidade científica sobre o obscurantismo das crenças bárbaras. Pois a concepção futurocêntrica da História, virando de cabeça para baixo a hierarquia do necessário e do contingente já traz em seu bojo a destruição completa da lógica, do método científico e de toda possibilidade de compreensão racional da realidade."


(Olavo de Carvalho)


segunda-feira, 22 de maio de 2017

O zênite da compreensão


Poderei eu, nessas tantas circunstâncias obscuras da vida, perder todas as coisas materiais, todos os familiares, todos os amigos. Poderei eu até perder a saúde, ser superado pelo esgotamento e definhamento físicos.
Enquanto mantiver a lucidez, jamais serei sobrepujado pelo desespero
E mesmo que eu perca completamente essa percepção consciente, jamais estarei abandonado ou entregue à sorte ateística de um fim ilógico e eterno
Há aqueles que embasam toda a sua existência no materialismo e no determinismo dogmático de uma realidade que se detêm apenas às coisas mundanas e passageiras, não muito diferente de um construtor que no fundo almeja que sua obra venha abaixo assim que ele morrer.
E há aqueles que tocados, sobretudo, pela razão existencial, enxergam um propósito maior, além e aquém desta vida. Encaram o tempo como uma ampulheta que ao se esvair os conduzirá para uma nova realidade, onde o próprio tempo não mais terá fim. São estes os construtores que almejam que suas obras sejam apreciadas, enaltecidas, vislumbradas e que sobrevivam por longos anos, independente de estarem aqui ou não.

Estes últimos certamente são muito mais fortes e resilientes que os primeiros diante dos obstáculos e adversidades da vida.
Estes são os que aceitam que há um sentido maior e transcendental em suas existências.
Estes são os que acataram a irrefutabilidade da existência de um ser supremo, criador de todas as criações e criaturas.
Estes são os que absorveram em si a verdade revelada por Cristo, o único e verdadeiro Deus.
Estes são os que têm fé, que é o ápice e o apogeu do entendimento acerca da verdade inerrante incutida nos ensinamentos e preceitos cristãos.



Renato Oliveira         05 de fevereiro de 2017



segunda-feira, 15 de maio de 2017

A canonização dos Pastorinhos de Fátima e o Milagre que a motivou



No último sábado, dia 13 de maio de 2017, em Fátima (Portugal), o Papa Francisco canonizou os pastorinhos Jacinta e Francisco Marto, visionários de Nossa Senhora de Fátima, diante de mais de meio milhão de pessoas. A data não foi escolhida aleatoriamente, já que no referido dia completaram-se exatos 100 anos da primeira aparição da Virgem Maria naquele local.
No interior da Basílica do Rosário, o Papa Francisco orou diante do túmulo dos dois pastorinhos e em seguida realizou uma missa em idioma português para as milhares de pessoas presentes - em latim, o Papa canonizou Francisco e Jacinta, os quais passaram a ser as primeiras crianças não mártires a receber uma canonização. Os dois irmãos morreram vítimas da gripe espanhola algum tempo depois das visões, enquanto que a terceira criança - a prima Lúcia dos Santos - tornou-se freira e veio a falecer em 2005, aos 97 anos de idade.





A PRIMEIRA APARIÇÃO
Jacinta, Francisco e Lúcia, à época com 7, 10 e 12 anos de idade, respectivamente, tiveram a primeira visão no dia 13 de maio de 1917, exatamente na mesma data em que o futuro Papa Pio XII foi solenemente ordenado bispo pelo seu antecessor, o Papa Bento XV. A Revolução Russa havia se iniciado ao fim de fevereiro daquele ano. Aquela primeira visão foi descrita por Lúcia da seguinte forma:
"Andava eu com os meus primos Francisco e Jacinta a cuidar do rebanho e subimos a encosta em procura dum abrigo a que chamávamos a "Loca do Cabeço". Depois de aí merendar e rezar, alguns momentos havia que jogávamos e eis que um vento sacode as árvores e faz-nos levantar a vista para ver o que se passava, pois o dia estava sereno. Então começamos a ver, a alguma distância, sobre as árvores que se estendiam em direção ao nascente, uma luz mais branca que a neve, com a forma duma jovem, transparente, mais brilhante que um cristal atravessado pelos raios do Sol. À medida que se aproximava, íamos-lhe distinguindo as feições. Estávamos surpreendidos e meios absortos. Não dizíamos palavra. Ao chegar junto de nós, disse: – Não temais. Sou o Anjo da Paz. Orai comigo. E ajoelhando em terra, curvou a fronte até ao chão. Levados por um movimento sobrenatural, imitámo-lo e repetimos as palavras que lhe ouvimos pronunciar: – Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam. Depois de repetir isto três vezes, ergueu-se e disse: – Orai assim. Os Corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas. E desapareceu. A atmosfera do sobrenatural que nos envolveu era tão intensa, que quase não nos dávamos conta da própria existência, por um grande espaço de tempo, permanecendo na posição em que nos tinha deixado, repetindo sempre a mesma oração. A presença de Deus sentia-se tão intensa e íntima que nem mesmo entre nós nos atrevíamos a falar. No dia seguinte, sentíamos o espírito ainda envolvido por essa atmosfera que só muito lentamente foi desaparecendo. Nesta aparição, nenhum pensou em falar nem em recomendar o segredo. Ela de si o impôs. Era tão íntima que não era fácil pronunciar sobre ela a menor palavra. Fez-nos, talvez, também maior impressão, por ser a primeira assim manifesta."


Nossa Senhora: - Não tenhais medo. Eu não vos faço mal.
Lúcia: - Donde é Vossemecê? - Sou do Céu (e Nossa Senhora ergueu as mãos apontando o Céu).
- E que é que Vossemecê me quer?
- Vim para vos pedir que venhais aqui seis meses seguidos, no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero. Depois voltarei ainda aqui uma sétima vez.
- E eu também vou para o Céu?
- Sim, vais.
- E a Jacinta?
- Também.
- E o Francisco?
- Também, mas tem que rezar muitos terços.
- A Maria das Neves já está no Céu? (Lúcia referia-se a uma mulher que tinha morrido recentemente)
- Sim, está.
- E a Amélia?
- Estará no Purgatório até ao fim do mundo. Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?
- Sim, queremos.
- Ides pois ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto.
"Foi ao pronunciar estas últimas palavras que abriu pela primeira vez as mãos comunicando-nos uma luz muito intensa, como que reflexo que delas expedia, que nos penetrava no peito e no mais intimo da alma, fazendo-nos ver a nós mesmos em Deus, que era essa luz, mais claramente do que nos vemos no melhor dos espelhos. Então, por um impulso intimo também comunicado, caímos de joelhos e repetimos intimamente ó Santíssima Trindade, eu Vos adoro, meu Deus meu Deus eu Vos amo no Santíssimo Sacramento. Passados estes momentos, Nossa Senhora acrescentou:
- Rezem o terço todos os dias para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra (na altura desenrolava-se a Primeira Guerra Mundial).
"Em seguida começou a elevar-se serenamente em direção ao nascente até desaparecer na imensidade da distância. A luz que A circundava ia como que abrindo um caminho no cerrado dos astros".





SEGUNDA APARIÇÃO (13 de Junho de 1917)
A segunda aparição, conforme prometido, ocorreu exatamente um mês depois, ou seja, 13 de junho de 1917.
Neste dia compareceram no local cerca de 50 pessoas curiosas pelos fatos revelados pelos pastorinhos. Por volta do meio-dia, os videntes notaram um clarão, um reflexo de uma luz que se aproximava. Alguns dos espectadores notaram que a luz do sol se obscureceu durante os minutos que se seguiram ao início do colóquio, outros afirmaram que o topo da azinheira pareceu curvar-se como sob um peso, um momento antes de Lúcia falar. Durante a troca de palavras entre Lúcia e a aparição alguns ouviram um sussurro como se fosse o zumbido de uma abelha.
Lúcia: - Vossemecê que me quer?
Nossa Senhora: - Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o terço todos os dias e que aprendam a ler. Depois, direi o que quero.
Lúcia pediu a cura de um doente. - Se se converter, curar-se-á durante o ano.
- Queria pedir-Lhe para nos levar para o Céu.
- Sim, a Jacinta e o Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o seu trono.
- Fico cá sozinha?
- Não, filha. E tu sofres muito? Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.
"Foi no momento que disse estas últimas palavras que abriu as mãos e nos comunicou, pela segunda vez, o reflexo dessa luz imensa. Nela nos víamos como que submergidos em Deus. A Jacinta e o Francisco pareciam estar na parte dessa luz que se elevava para o céu e eu na que se espargia sobre a terra. À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora estava um coração cercado de espinhos que parecia estarem-lhe cravados. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria ultrajado pelos pecados da humanidade que queria reparação. Quando se desvaneceu esta visão, a Senhora, envolta ainda na luz que d'Ela irradiava, elevou-se da arvorezinha sem esforço, suavemente na direção do leste até desaparecer de todo."
Algumas pessoas mais próximas notaram que os rebentos do topo da azinheira estavam tombados na mesma direção, como se as vestes da Senhora os tivessem arrastado. Só algumas horas mais tarde retomaram a posição natural.





TERCEIRA APARIÇÃO (13 de Julho de 1917)
Ao dar-se a terceira aparição, uma nuvenzinha acinzentada pairou sobre a azinheira, o sol ofuscou-se, uma aragem fresca soprou sobre a serra, embora se estivesse em pleno Verão. O Sr. Manuel Marto, pai de Jacinta e Francisco, diz que também ouviu um sussurro, como o de moscas num cântaro vazio. Os videntes viram o reflexo da costumada luz e, em seguida, Nossa Senhora sobre a carrasqueira.
Lúcia: - Vosmecê que me quer?
Nossa Senhora: - Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer.
- Queria pedir-lhe para nos dizer quem é; para fazer um milagre com que todos acreditem que Vosmecê nos aparece.
- Continuem a vir aqui todos os meses. Em Outubro direi quem sou, o que quero e farei um milagre que todos hão de ver para acreditarem. Lúcia apresenta então uma série de pedidos de conversões, curas e outras graças. Nossa Senhora responde recomendando sempre a prática do terço, que assim alcançariam as graças durante o ano. Um dos pedidos foi a cura do filho paralítico de Maria Carreira. Nossa Senhora respondeu que não o curaria nem o tiraria da sua pobreza, mas que rezasse o terço todos os dias em família e dar-lhe-ia os meios de ganhar a vida. Outro enfermo pedia para ir em breve para o Céu. Nossa Senhora respondeu que não tivesse pressa, que bem sabia quando o havia de vir buscar. Depois prosseguiu:
- Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes e em especial quando fizerdes algum sacrifício: "ó Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria." Ao dizer estas últimas palavras, abriu de novo as mãos, como nos dois meses passados. O reflexo de luz que delas expediam pareceu penetrar a terra e (primeira parte do segredo - "A Visão do Inferno") mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados nesse fogo os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras, ou bronzeadas com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam, juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das fagulhas em grandes incêndios sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros. Esta vista foi um momento, e graças à nossa boa Mãe do Céu que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o Céu (na primeira aparição), se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor. Em seguida, levantamos os olhos para Nossa Senhora que nos disse com bondade e tristeza:
- Vistes o Inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, (segunda parte do segredo - "O Imaculado Coração de Maria") Deus quer estabelecer no mundo a devoção a meu Imaculado Coração. Se fizerem o que eu disser salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite, alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem aos meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz, se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé. Então vimos (terceira parte do segredo - "O atentado ao Papa") ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fogo na mão esquerda; ao cintilar, soltava chamas que pareciam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro. O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte dizia: "Penitência, Penitência, Penitência!" E vimos numa luz imensa que é Deus: "algo semelhante a como se veem as pessoas num espelho quando lhe passam por diante" um Bispo vestido de branco "tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre". Vários outros bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas subiam uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trêmulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás dos outros os Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas e várias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de várias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal na mão, neles recolhiam o sangue dos Mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus." Terminada esta visão, disse Nossa Senhora: - Isto não o digais a ninguém. Ao Francisco sim, podeis dizê-lo. Quando rezardes o terço, dizei depois de cada mistério: "Ó meu Jesus! Perdoai-nos e livrai-nos do fogo do Inferno, levai as almas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem.
- Vosmecê não me quer mais nada?
- Não. Hoje não te quero mais nada. E como de costume, começou a elevar-Se em direção ao nascente, até desaparecer na imensa distância do firmamento. Ouviu-se então um trovão, indicando que a aparição cessara.





QUARTA APARIÇÃO (19 de Agosto de 1917)
No dia 13 de Agosto, quando deveria dar-se a quarta aparição, os videntes não puderam ir à Cova da Iria, pois foram raptados pelo então administrador do conselho de Vila Nova de Ourém, Artur de Oliveira Santos, um republicano anticlerical e maçom,que à força quis arrancar-lhes o segredo.

Nesse dia, juntou-se uma grande multidão que aguardava pela aparição. Por volta do meio-dia, ouviu-se um trovão, ao qual se seguiu o relâmpago, tendo os espectadores notado uma pequena nuvem branca que pairou alguns minutos sobre a azinheira. Observaram-se também fenômenos de coloração, de diversas cores, nos rostos das pessoas, das roupas, das árvores e do chão. As crianças continuaram em cativeiro e apesar das várias ameaças físicas de que foram alvo, permaneceram inabaláveis e nada revelaram.

Na manhã do dia 15 de Agosto e a seguir a um interrogatório final, foram então libertadas e regressaram a Fátima.

No dia 19 de Agosto de 1917, Lúcia estava com Francisco e seu irmão João no lugar dos Valinhos, uma propriedade de um dos seus tios. Pelas 4 horas da tarde, começaram a produzir-se as alterações atmosféricas que precederam as aparições anteriores, uma súbita diminuição da temperatura e um esmorecimento do Sol. Lúcia, sentindo que alguma coisa de sobrenatural se aproximava e os envolvia, pediu ao primo João para chamar rapidamente Jacinta, a qual chegou a tempo de ver Nossa Senhora que - anunciada, como das outras vezes, por um reflexo de luz - apareceu sobre uma azinheira, um pouco maior que a da Cova da Iria.
Lúcia: - Que é que Vosmecê me quer?
Nossa Senhora: - Quero que continueis a ir à Cova da Iria no dia 13, que continueis a rezar o terço todos os dias. No último mês farei o milagre para que todos acreditem.
- Que é que Vosmecê quer que se faça ao dinheiro que o povo deixa na Cova da Iria?
- Façam dois andores, um leva-o tu com a Jacinta e mais duas meninas; o outro que o leve o Francisco com mais três meninos. O dinheiro dos andores é para a festa de Nossa Senhora do Rosário e o que sobrar é para a ajuda de uma capela que hão de mandar fazer.
- Queria pedir-lhe a cura de alguns doentes.
- Sim, alguns curarei durante o ano. E tomando um aspecto mais triste, recomendou-lhes novamente a prática da mortificação: - Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o Inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas. "E, como de costume, começou a elevar-Se em direção ao nascente." Os videntes cortaram ramos da árvore sobre a qual Nossa Senhora lhes tinha aparecido e levaram-nos para casa. Os ramos exalavam um perfume singularmente suave.





QUINTA APARIÇÃO (13 de Setembro de 1917)
Como das outras vezes, uma série de fenômenos atmosféricos foram observados pelos circunstantes, cujo número foi calculado entre 15 e 20 000 pessoas: o súbito refrescar da atmosfera, o empalidecer do Sol até ao ponto de se verem as estrelas, uma espécie de chuva como que de pétalas irisadas ou flocos de neve que desapareciam antes de pousarem na terra. Em particular, foi notado desta vez um globo luminoso que se movia lenta e majestosamente pelo céu, do nascente para o poente e, no fim da aparição, em sentido contrário. Os videntes notaram, como de costume, o reflexo de uma luz e, a seguir, Nossa Senhora sobre a azinheira.
Nossa Senhora: - Continuem a rezar o terço para alcançarem o fim da guerra. Em Outubro, virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, São José com o Menino Jesus, para abençoarem o Mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda. Trazei-a só durante o dia (as crianças tinham passado a usar como silício uma corda grossa que não tiravam sequer para dormir; isso impedia-lhes muitas vezes o sono e passavam noites inteiras em branco).
Lúcia: - Têm-me pedido para Lhe pedir muitas coisas, a cura de alguns doentes, de um surdo-mudo.
- Sim, alguns curarei. Outros não. Em Outubro farei o milagre para que todos acreditem. "E começando a elevar-Se, desapareceu como de costume."





SEXTA E ÚLTIMA APARIÇÃO - O MILAGRE DO SOL (13 de Outubro de 1917)
Devido ao fato de os pastorinhos terem revelado que a Virgem Maria iria fazer um milagre neste dia para que todos acreditassem, estavam presentes na Cova da Iria cerca de 50 mil pessoas, segundo os relatos da época. Chovia com abundância e a multidão aguardava as três crianças nos terrenos enlameados da serra. Lúcia assim descreve estes acontecimentos na Memória IV:
"Saímos de casa bastante cedo, contando com as demoras do caminho. O povo era em massa. A chuva, torrencial. Minha mãe, temendo que fosse aquele o último dia da minha vida, com o coração retalhado pela incerteza do que iria acontecer, quis acompanhar-me. Pelo caminho, as cenas do mês passado, mais numerosas e comovedoras. Nem a lamaceira dos caminhos impedia essa gente de se ajoelhar na atitude mais humilde e suplicante. Chegados à Cova de Iria, junto da carrasqueira, levada por um movimento interior, pedi ao povo que fechasse os guarda-chuvas para rezarmos o terço. Pouco depois, vimos o reflexo da luz e, em seguida, Nossa Senhora sobre a carrasqueira.
Lúcia: - Que é que Vosmecê me quer?
Nossa Senhora: – Quero dizer-te que façam aqui uma capela em Minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas.
- Eu tinha muitas coisas para Lhe pedir: se curava uns doentes e se convertia uns pecadores, etc.
- Uns, sim; outros, não. É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados. E tomando um aspecto mais triste: – Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido. E abrindo as mãos, fê-las refletir no Sol. E enquanto que se elevava, continuava o reflexo da Sua própria luz a projetar-se no Sol.
Neste momento, Lúcia diz para a multidão olhar para o Sol, levada por um movimento interior que a isso a impeliu. "Desaparecida Nossa Senhora, na imensa distância do firmamento, vimos, ao lado do Sol, São José com o Menino e Nossa Senhora vestida de branco, com um manto azul." Era a Sagrada Família. "São José com o Menino pareciam abençoar o Mundo com uns gestos que faziam com a mão em forma de cruz. Pouco depois, desvanecida esta aparição, vi Nosso Senhor acabrunhado de dor a caminho do Calvário e Nossa Senhora que me dava a ideia de ser Nossa Senhora das Dores."

Lúcia via apenas a parte superior do corpo de Nosso Senhor e Nossa Senhora não tinha a espada no peito "Nosso Senhor parecia abençoar o Mundo da mesma forma que S. José. Desvaneceu-se esta aparição e pareceu-me ver ainda Nossa Senhora, em forma semelhante a Nossa Senhora do Carmo, com o Menino Jesus ao colo."
Enquanto os três pastorinhos eram agraciados com estas visões (apenas Lúcia viu os três quadros, Jacinta e Francisco viram somente o primeiro), a maior parte da multidão presente observou o chamado Milagre do Sol. A chuva que caía cessou, as nuvens entreabriram-se deixando ver o Sol, assemelhando-se a um disco de prata fosca, podia fitar-se sem dificuldade sem cegar. A imensa bola começou a girar vertiginosamente sobre si mesma como uma roda de fogo. Depois, os seus bordos tornaram-se escarlates e deslizou no céu, como um redemoinho, espargindo chamas vermelhas de fogo. Essa luz refletia-se no solo, nas árvores, nas próprias faces das pessoas e nas roupas, tomando tonalidades brilhantes e diferentes cores. Animado três vezes por um movimento louco, o globo de fogo pareceu tremer, sacudir-se e precipitar-se em zigue-zague sobre a multidão aterrorizada. Tudo durou uns dez minutos. Finalmente, o Sol voltou em zigue-zague para o seu lugar e ficou novamente tranquilo e brilhante. Muitas pessoas notaram que as suas roupas, ensopadas pela chuva, tinham secado subitamente. Tal fenômeno foi testemunhado por milhares de pessoas, até mesmo por outras que estavam a quilômetros do lugar das aparições. O relato foi publicado na imprensa por diversos jornalistas que ali se deslocaram e que foram também eles, testemunhas do acontecimento.









A Igreja Católica acompanhou o caso e em 1930 reconheceu como sobrenaturais as aparições. Hoje, Fátima é um dos maiores santuários marianos do mundo.





O MILAGRE QUE LEVOU À CANONIZAÇÃO DE JACINTA E FRANCISCO

O menino brasileiro Lucas Baptista, filho de João Baptista e Lucila Yurie, tinha apenas 5 anos de idade quando sofreu uma queda de quase 7 metros (enquanto brincava na janela com sua irmã Eduarda) por volta das 20 horas do dia 3 de março de 2013, na cidade de Juranda, estado do Paraná. Na queda, o menino bateu com a cabeça no chão e sofreu um traumatismo craniano, com perda de tecido cerebral. Ele chegou ao hospital em coma gravíssimo, sofreu duas paradas cardíacas e teve que passar por uma cirurgia de urgência; os médicos não tinham muitas esperanças que o menino pudesse se salvar.
Nesse momento, os pais de Lucas passaram a apelar para o poder transcendental e sobrenatural de Deus.
Acompanhe as palavras de João Baptista no discurso da cerimônia de canonização:

"Meu nome é João Batista. Esta é a minha esposa, Lucila Yurie.
No dia 3 de março de 2013, pelas 20.00 horas, o nosso filho Lucas, que estava a brincar com a sua irmãzinha Eduarda, caiu de uma janela, de uma altura de 6.50 metros. Tinha 5 anos.
Bateu com a cabeça no chão e fez um traumatismo craniano muito grave, com perda de tecido cerebral.
Foi assistido na nossa cidade, em Juranda, e dada a gravidade do seu quadro clínico, foi transferido para o hospital de Campo Mourão, no Paraná. O percurso demorou quase uma hora.
Chegou em coma muito grave. Teve duas paragens cardíacas e foi operado de urgência. Os médicos diziam que tinha poucas probabilidades de sobreviver.

Começamos a rezar a Jesus e a Nossa Senhora de Fátima, a quem temos muita devoção. No dia seguinte ligamos para o Carmelo de Campo Mourão, pedindo às irmãs que rezassem pelo menino. A irmã que recebeu o telefonema não passou o recado para a comunidade. Estavam na hora do silêncio e ela pensou: "O menino vai morrer. Vou rezar pela família".

Os dias passavam e o Lucas estava piorando. No dia 6 de março os médicos pensaram na transferência para outro hospital, uma vez que nem havia os cuidados necessários para a sua idade. Disseram-nos que as possibilidades de o menino sobreviver eram baixas e que se sobrevivesse teria uma recuperação muito demorada ficando certamente com graves deficiências cognitivas ou mesmo em estado vegetativo.

No dia 7 voltamos a telefonar ao Carmelo. Nesse dia, a irmã transmitiu o recado à comunidade. Uma irmã correu para as relíquias dos Beatos Francisco e Jacinta, que estavam junto do Sacrário e sentiu esse impulso de oração: "Pastorinhos, salvem este menino, que é uma criança como vocês". Conseguiu convencer toda a comunidade a rezar apenas com a intercessão dos Pastorinhos.
Assim fizeram. Da mesma forma todos nós, na família, começamos a rezar aos Pastorinhos e, dois dias depois, no dia 9 de março o Lucas acordou, bem, e começou a falar, perguntado pela sua irmãzinha. No dia 11 saiu da UTI e dia 15 teve alta.

Está completamente bem, sem nenhum sintoma ou sequela. O que o Lucas era antes do acidente ele o é agora: sua inteligência, seu caráter, é tudo igual.

Os médicos, incluindo alguns não crentes, disseram não ter explicação para esta recuperação.

Queremos agradecer aos profissionais de saúde que acompanharam o Lucas, bem como à Postulação do Francisco e Jacinta Marto na pessoa da Irmã Ângela, por todo o cuidado prestado durante todo este processo até canonização.

Agradecemos também ao Santuário de Fátima pelo convite para este momento de graça. No entanto, não podemos deixar de agradecer a todos aqueles que rezaram pelo Lucas.
Damos graças a Deus pela cura do Lucas e sabemos com toda a fé do nosso coração, que foi obtido este milagre pelos Pastorinhos Francisco e Jacinta.
Sentimos uma imensa alegria por ser este o milagre que os leva à canonização, mas sobretudo sentimos a bênção da amizade destas duas crianças, que ajudaram o nosso menino e agora ajudam a nossa família."






O menino Lucas e seus pais foram recebidos pelo Papa Francisco durante a cerimônia.







* O processo de canonização de Lúcia dos Santos ainda não foi concluído.










Eventos históricos
Cronologia de alguns eventos históricos relacionados com a mensagem e as aparições de Fátima:


28 de Março de 1907 - Nasce Lúcia dos Santos, em Aljustrel, Fátima.
11 de Junho de 1908 - Nasce Francisco de Jesus Marto, em Aljustrel, Fátima.
11 de Março de 1910 - Nasce Jacinta de Jesus Marto, em Aljustrel, Fátima.
28 de Julho de 1914 - Início da Primeira Guerra Mundial.
23 de Fevereiro de 1917 - A Revolução Russa tem início. O Czar é deposto e um Governo Provisório é implantado. A 25 de Outubro bolcheviques, liderados por Vladimir Lenin, assumem o poder.
13 de Maio de 1917 - O futuro Papa Pio XII é solenemente ordenado bispo pelo seu antecessor, o Papa Bento XV, exatamente no primeiro dia da aparição de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos.
11 de Novembro de 1918 - Fim da Primeira Guerra Mundial.
23 de Dezembro de 1918 - Francisco e Jacinta Marto adoecem, vítimas de pneumónica.
4 de Abril de 1919 - Morre Francisco Marto, na casa da sua família, em Aljustrel. É sepultado no cemitério de Fátima.
28 de Abril a 15 de Junho de 1919 - Construção da Capelinha das Aparições, em resposta ao pedido de Nossa Senhora "quero que façam aqui uma capela em minha honra".
21 de Janeiro de 1920 - Jacinta Marto é levada para Lisboa, onde fica internada no Orfanato de Nossa Senhora dos Milagres, na Rua da Estrela, n.º 17. No dia 2 de Fevereiro de 1920 muda para o Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa.
20 de Fevereiro de 1920 - Morre Jacinta Marto, no Hospital de Dona Estefânia. É sepultada no cemitério de Vila Nova de Ourém, no jazigo da família do Barão de Alvaiázere.
13 de Maio de 1920 - A imagem de Nossa Senhora de Fátima, oferecida por Gilberto Fernandes dos Santos e obra do escultor José Ferreira Thedim, é benzida na Igreja Paroquial de Fátima. É em madeira, cedro do Brasil, mede 1 metro e 37 centímetros e pesa 19 quilos. É entronizada na Capelinha a 13 de Junho do mesmo ano.
17 de Junho de 1921 - Lúcia dá entrada como aluna interna, no colégio das Irmãs Doroteias em Vilar, Porto.
13 de Outubro de 1921 - É permitida a celebração da Missa, pela primeira vez, junto à Capelinha das Aparições.
6 de Março de 1922 - A Capelinha das Aparições é parcialmente destruída por uma bomba, sendo reconstruída ainda nesse mesmo ano.
3 de Maio de 1922 - Provisão do Bispo de Leiria manda instaurar o processo canônico sobre os acontecimentos de Fátima.[25]
25 de Outubro de 1925 - Lúcia viaja para Espanha e é admitida como postulante de noviciado no Convento das Doroteias, em Tui. Ao receber o hábito adota o nome de Maria (Lúcia) da Dores.
10 de Dezembro de 1925 - Nossa Senhora pede a Lúcia, numa visão em Tui, a divulgação da prática e da comunhão reparadora nos primeiros sábados.
15 de Fevereiro de 1926 - Lúcia tem uma visão de Jesus onde Ele lhe pergunta se tem espalhado a devoção dos primeiros sábados.
26 de Junho de 1927 - O Bispo de Leiria preside, pela primeira vez, uma cerimónia oficial na Cova da Iria.
13 de Maio de 1928 - Lançamento da primeira pedra para a construção da Basílica.
14 de Abril de 1929 - É concluído o processo canônico sobre as Aparições instaurado em Maio de 1922. A comissão responsável entrega o relatório final ao Bispo de Leiria.
13 de Junho de 1929 - Nossa Senhora pede a Lúcia, noutra visão em Tui, a consagração da Rússia ao Seu Imaculado Coração.
13 de Outubro de 1930 - O Bispo de Leiria, José Alves Correia da Silva, torna público e oficialmente, que as aparições de Fátima são dignas da fé pela Igreja Católica e a permissão do culto público a Nossa Senhora de Fátima.
13 de Maio de 1931 - Primeira Consagração de Portugal ao Imaculado Coração de Maria, feita pelo Episcopado Português, no seguimento da Mensagem de Fátima.
12 de Setembro de 1935 - Os restos mortais de Jacinta Marto são trasladados para o cemitério de Fátima, data em que a urna foi aberta e revelado o seu corpo incorrupto.
Dezembro de 1935 - Lúcia escreve o texto sobre a vida de Jacinta e que fica conhecido como a "Primeira Memória da Irmã Lúcia".
21 de Novembro de 1937 - Lúcia conclui o manuscrito sobre a sua vida e as aparições e que fica conhecido como "Segunda Memória da Irmã Lúcia". Revela pela primeira vez as visões do Anjo.
25 de Janeiro de 1938 - Extraordinária aurora boreal, registrada por astrônomos na noite de 25 para 26 de Janeiro. (Lúcia sempre insistiu que este seria o sinal de Deus para o começo da guerra, conforme Nossa Senhora havia comunicado aos pastorinhos na terceira aparição.)
12 de Março de 1938 - Tropas nazistas marcham até Áustria para anexá-la à Alemanha do Terceiro Reich (segundo o testemunho da Irmã Lúcia (carta de 8 de Novembro de 1989 para o Santo Padre), este acontecimento teria sido o verdadeiro início da Segunda Guerra Mundial, ocorrendo durante o pontificado do Papa Pio XI (1922-1939), confirmando assim a mensagem de Nossa Senhora de 13 de Julho de 1917).
31 de Agosto de 1941 - Atendendo ao pedido feito pelo Bispo de Leiria, Lúcia redige novos factos sobre Jacinta e revela a Primeira e a Segunda parte do Segredo, deixando claro que existiria ainda uma Terceira parte por divulgar. Este manuscrito é posteriormente publicado, ficando conhecido como "Terceira Memória da Irmã Lúcia".
8 de Dezembro de 1941 - Lúcia escreve o que ficou conhecido como a "Quarta Memória da Irmã Lúcia". A vidente escreve o texto definitivo das Orações do Anjo e acrescenta ao texto do segredo a frase «Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé etc.».
13 de Maio de 1942 - Grande peregrinação comemora o 25.º aniversário das Aparições.
13 de Outubro de 1942 - Um grupo de mulheres portuguesas oferece uma coroa de ouro à imagem da Capelinha em ação de graças por Portugal não ter entrado na Segunda Guerra Mundial. Pesa 1200 gramas e é enriquecida por 313 pérolas e 2679 pedras preciosas.
31 de Outubro de 1942 - Por ocasião do encerramento do ano jubilar das aparições, o Papa Pio XII através de uma mensagem rádio a Portugal, faz a Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria.
3 de Janeiro de 1944 - Por ordem do Bispo de Leiria, Lúcia escreve a Terceira parte do Segredo. O envelope é selado e guardado pelo Bispo de Leiria.
15 de Agosto de 1945 - Fim da Segunda Guerra Mundial.
13 de Maio de 1946 - O Cardeal Bento Aloisi Masella, legado pontifício, coroa solenemente a imagem de Nossa Senhora de Fátima.
20 de Maio de 1946 - A vidente Lúcia desloca-se a Fátima e faz a identificação local dos diversos lugares históricos das aparições.
25 de Março de 1948 - Lúcia retorna a Portugal para ingressar no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, com o nome de Irmã Maria Lúcia do Coração Imaculado.
30 de Outubro de 1950 - Às 16h00, o Papa Pio XII presencia o Milagre do Sol nos jardins do Vaticano e conta ainda como viu um globo opaco girando em torno dele mesmo, movimentando-se ligeiramente para a direita e para a esquerda, repetidamente. O fenômeno repete-se para o Pontífice ainda nos dias 31 de outubro, 1.º de novembro e 8 de novembro. O Pontífice disse ser uma confirmação celestial à proclamação solene do dogma da Assunção de Maria de corpo e alma aos céus.
1 de Maio de 1951 - Os restos mortais de Jacinta são trasladados para a Basílica de Fátima.
13 de Março de 1952 - Os restos mortais de Francisco são trasladados para a Basílica de Fátima. É sepultado junto de sua irmã Jacinta.
7 de Julho de 1952 - O Papa Pio XII, por meio de uma Carta Apostólica, consagra os povos da Rússia ao Puríssimo Coração de Maria.
7 de Outubro de 1953 - Sagração da Basílica de Nossa Senhora do Rosário. Em Novembro de 1954, Pio XII concede-lhe o título de Basílica.
12 de Agosto de 1956 - É inaugurado nos Valinhos, Aljustrel, o monumento celebrativo no local da 4.ª aparição, ocorrida em 19 de Agosto de 1917. Foi construído com contribuições de católicos húngaros e a imagem de Nossa Senhora de Fátima é obra da escultora Maria Amélia Carvalheira da Silva.
4 de Abril de 1957 - O envelope selado com a Terceira parte do Segredo é entregue ao Arquivo Secreto do Santo Ofício. Disto mesmo a Irmã Lúcia é avisada pelo Bispo de Leiria. Pio XII não o chega a abrir.
17 de Agosto de 1959 - O Papa João XXIII toma conhecimento da Terceira parte do Segredo. Após alguma hesitação, pede para esperar e decide não torná-lo público.
13 de Agosto de 1961 - Inicia-se a construção do Muro de Berlim.
21 de Novembro de 1964 - O Papa Paulo VI, ao encerrar a III Sessão do Concílio Vaticano II, confia o gênero humano ao Imaculado Coração de Maria e proclama Nossa Senhora Matter Ecclesiae. Concede a Rosa de Ouro ao Santuário de Fátima que é entregue a 13 de Maio do ano seguinte pelo Cardeal Fernando Cento, legado Pontifício.
27 de Março de 1965 - Paulo VI toma conhecimento da Terceira parte do Segredo e decide não publicá-lo, remetendo de novo o envelope para os Arquivos do Vaticano.
13 de Maio de 1967 - O Papa Paulo VI desloca-se a Fátima, no cinquentenário da 1ª Aparição de Nossa Senhora, para pedir a paz no mundo e a unidade da Igreja.
13 de Maio de 1977 - A Peregrinação do 60.º aniversário da 1.ª Aparição é presidida pelo Cardeal Humberto Medeiros, Arcebispo de Boston, legado Pontifício.
13 de Maio de 1981 - O Papa João Paulo II sofre um atentado na Praça de São Pedro, no Vaticano. Logo que recupera no hospital, pede que lhe entreguem o envelope com a Terceira parte do Segredo.
12 de Maio de 1982 - A Irmã Lúcia, numa carta dirigida ao Santo Padre, faz uma orientação para a interpretação da Terceira parte do Segredo.
13 de Maio de 1982 - O Papa João Paulo II visita pela primeira vez o Santuário de Fátima para agradecer à Virgem ter escapado com vida do atentado que havia sofrido um ano antes. De joelhos, consagra a Igreja, os Homens e os Povos, com menção velada da Rússia, ao Imaculado Coração de Maria.
25 de Março de 1984 - O Papa João Paulo II, em união com os bispos do mundo inteiro, faz na Praça de S. Pedro, no Vaticano, a Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria, diante da imagem da Virgem de Fátima, que propositadamente viajou desde a Capelinha das Aparições. Mais tarde, a Irmã Lúcia confirma, numa carta de 8 de Novembro de 1989 para o Santo Padre, que este ato solene e universal de consagração, corresponderia ao que Nossa Senhora queria. João Paulo II entrega ao então Bispo de Leiria-Fátima, Alberto Cosme do Amaral, a bala que o tinha atingido no atentado de que tinha sido vítima a 13 de Maio de 1981. Esta bala foi posteriormente colocada na coroa da Virgem, onde permanece até hoje.
13 de Maio de 1989 - O Papa João Paulo II publica o decreto que proclama a heroicidade das virtudes dos videntes Francisco e Jacinta Marto.
9 de Novembro de 1989 - Cai o Muro de Berlim, ato inicial da reunificação das duas Alemanhas, (RFA e RDA), acabando também com a Cortina de Ferro. Muitos apontam este momento também como o fim da Guerra Fria. Um pedaço do Muro foi oferecido mais tarde ao Santuário de Fátima pelo emigrante português na Alemanha Virgílio Casimiro Ferreira.
13 de Maio de 1991 - O Papa João Paulo II visita Fátima pela segunda vez, no 10º aniversário do seu atentado na Praça de S. Pedro. Novamente, faz a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria.
25 de Dezembro de 1991 - Gorbachev anuncia o fim da URSS, renunciando ao cargo de Presidente Executivo da União Soviética. Mais tarde muitas igrejas foram devolvidas aos ortodoxos, incluindo o Mosteiro de São Daniel, onde está hoje a sede do patriarcado da Igreja Ortodoxa russa. Até à data, outubro 2016, a Federação da Rússia permite a multi-confissão religiosa.
Outubro de 1992 - A estátua peregrina de Nossa Senhora de Fátima visita a Rússia e é exposta na Praça Vermelha em Moscovo.
13 de Agosto de 1994 - É inaugurado o monumento que integra o pedaço oferecido do Muro de Berlim. Pesa 2600 quilos, mede 3,60 metros de altura e 1,20 de largura. O arranjo do monumento é do arquiteto J. Carlos Loureiro.
12 e 13 de Outubro de 1996 - O Cardeal Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e futuro Papa Bento XVI, visita o Santuário de Fátima, onde preside à Peregrinação Internacional Aniversária de Outubro.
27 de Abril de 2000 - Cumprindo o pedido feito pelo Papa João Paulo II numa carta pessoal enviada à Irmã Lúcia em 19 de Abril de 2000, o Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé e o Bispo de Leiria-Fátima Serafim de Sousa Ferreira e Silva encontram-se com Lúcia no Carmelo de Santa Teresa em Coimbra para ouvir a sua interpretação da Terceira parte do Segredo.
13 de Maio de 2000 - O Papa João Paulo II visita Fátima pela última vez para a beatificação dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto. Aí se encontra pela última vez com a Irmã Lúcia. O Cardeal Angelo Sodano, no final da solene Concelebração Eucarística presidida por João Paulo II, expõe uma súmula do Terceiro Segredo de Fátima.
26 de Junho de 2000 - O Vaticano publica o texto integral do Terceiro Segredo, acompanhado por um comentário teológico da autoria do então Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
8 de Outubro de 2000 - A imagem de Nossa Senhora de Fátima viaja novamente ao Vaticano e na Praça de S. Pedro, na presença de 1500 bispos de todo o mundo e de milhares de fiéis e peregrinos, João Paulo II consagra diante desta e em união com todo o episcopado do mundo, o novo milênio à Virgem Santíssima.
13 de Fevereiro de 2005 - Morre no Carmelo de Coimbra a Irmã Lúcia do Coração Imaculado, da Ordem das Carmelitas Descalças.
2 de Abril de 2005 - Morre João Paulo II.
13 de Maio de 2005 - O Papa Bento XVI faz uma exceção à regra do Código de Direito Canônico e dá instruções para o início do processo de beatificação de João Paulo II. O Patriarca de Lisboa José da Cruz Policarpo cumpre o pedido que lhe foi feito pessoalmente por Bento XVI e entrega o pontificado de Joseph Ratzinger aos pés de Nossa Senhora de Fátima.
19 de Fevereiro de 2006 - Os restos mortais de Lúcia são trasladados para a Basílica de Fátima onde é sepultada junto dos seus primos, Francisco e Jacinta.
12 de Outubro de 2007 - Celebrando o 90.º aniversário das Aparições, é inaugurada a Basílica da Santíssima Trindade pelo Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, assistindo ao ato o Presidente da República, Cavaco Silva e o Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.
14 de Fevereiro de 2008 - O Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, por ocasião do aniversário da morte de Lúcia, torna público em Coimbra que o Papa Bento XVI autorizou, excepcionando as normas do Direito Canônico, o início da fase diocesana da causa da beatificação de Lúcia, transcorridos apenas três anos da sua morte.
12 e 13 de Maio de 2010 - O Papa Bento XVI, visita o Santuário de Fátima no 10.º aniversário da beatificação dos pastorinhos Jacinta e Francisco. Concede a 2.ª Rosa de Ouro ao Santuário, colocando-a aos pés da imagem da Virgem na Capelinha das Aparições.
1 de Maio de 2011 - João Paulo II é beatificado na Praça de São Pedro por Bento XVI.
13 de Maio de 2011 - Milhares de pessoas presentes no santuário de Fátima observam um halo solar, no momento em que era exibido um filme que relatava momentos da vida de João Paulo II e da sua ligação a Fátima. Muitos peregrinos dizem ver um "milagre" enquanto outros dirigem os telefones celulares para o Sol para registrar o momento em fotografia.



13 de Maio de 2013 - O Cardeal-patriarca de Lisboa D. José Policarpo dá cumprimento ao desejo claramente expresso do Papa Francisco e consagra o seu pontificado à Virgem de Fátima.
12 e 13 de Outubro de 2013 - A imagem de Nossa Senhora de Fátima volta novamente ao Vaticano, atendendo ao desejo expresso do Papa Francisco. No dia 12 é acolhida na Praça de S. Pedro pelo Santo Padre e no dia 13, o Papa faz diante da imagem a Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria.
29 de Setembro de 2016 - O Papa Francisco confirma a sua deslocação a Fátima em Maio de 2017 com o propósito da celebração do Centenário das Aparições. Será o quarto Papa a visitar Portugal, depois de Paulo VI (1967), João Paulo II (1982, 1991 e 2000) e Bento XVI (2010).
23 de Março de 2017 - O Papa Francisco aprova o milagre necessário para a canonização dos beatos Francisco e Jacinta Marto.
12 e 13 de Maio de 2017 - O Papa Francisco visita como peregrino o Santuário de Fátima, na comemoração do centenário das Aparições. Concede a 3.ª Rosa de Ouro ao Santuário, colocando-a aos pés da imagem da Virgem na Capelinha das Aparições. No dia 13 preside à celebração eucarística e canoniza os pastorinhos beatos Francisco e Jacinta Marto. Os dois irmãos são os mais jovens santos não mártires na história da Igreja Católica




fonte: wikipédia


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